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Bitcoin Puzzle: o Enigma de 916 BTC Sem Solução em 2026

Bitcoin Puzzle: o Enigma de 916 BTC Sem Solução em 2026

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Bitcoin Puzzle: o Enigma de 916 BTC Sem Solução em 2026


Leitura: ~14 min

TL;DR

  • Em 2015, um usuário do BitcoinTalk criou 256 carteiras com chaves privadas propositalmente fracas — hoje isso virou um teste público de força bruta com quase 1.000 BTC em jogo.
  • Em meados de 2026, 82 dos 160 puzzles ativos já foram resolvidos, mas 916 BTC (cerca de US$ 58,8 milhões) seguem travados em 78 endereços.
  • Muita história "viral" sobre o puzzle não resiste à checagem — inclusive uma lenda famosa sobre o Puzzle 254 que desmontamos neste post com evidência concreta.

Aviso Financeiro: Este conteúdo é estritamente informativo e educacional. Não constitui conselho, recomendação ou oferta de investimento. Consulte um profissional habilitado antes de tomar decisões financeiras.

Nota Técnica: As informações sobre chaves privadas, endereços e status de resolução mudam com frequência. Os números deste post refletem dados públicos verificados até a data de publicação — consulte sempre btcpuzzle.info para o status em tempo real.

O prêmio do Puzzle 66 foi resolvido — e roubado antes de confirmar.

Um solver passou meses rodando GPUs atrás de uma chave privada de 66 bits. Encontrou. Transmitiu a transação de resgate. E viu outro endereço copiar a assinatura direto do mempool público e levar os 6,6 BTC embora antes que o bloco fechasse. Isso não é lenda de fórum: aconteceu em setembro de 2024, e o mesmo golpe se repetiu no Puzzle 69. Aqui no @CanalQb, vasculhamos o estado atual da Bitcoin Puzzle Transaction — o desafio criptográfico mais antigo e mais rentável ainda ativo na rede Bitcoin —, as ferramentas mais recentes usadas para atacá-lo e, no meio do caminho, desmontamos algumas lendas que circulam sobre ele.

O que é a Bitcoin Puzzle Transaction?

A Bitcoin Puzzle Transaction é um conjunto de endereços Bitcoin criados de propósito com chaves privadas dentro de intervalos numéricos conhecidos, para servir como benchmark público da capacidade de quebra de chaves da comunidade. Em 15 de janeiro de 2015, uma única transação (TXID 08389f34c98c606322740c0be6a7125d9860bb8d5cb182c02f98461e5fa6cd15, confirmada no bloco 339.085) distribuiu cerca de 32,9 BTC entre 256 endereços. Cada endereço N guarda uma chave privada dentro do intervalo [2^(N-1), 2^N − 1] — ou seja, quanto maior o número do puzzle, maior o espaço de busca e mais difícil encontrar a chave certa.

Quem criou o puzzle e por que ele continua ativo?

O criador se identifica pelo apelido saatoshi_rising (perfil #991321 no BitcoinTalk). Em 27 de abril de 2017, respondendo a questionamentos sobre a origem do desafio, ele confirmou publicamente sua autoria e descreveu o projeto com uma frase que ficou famosa na comunidade: "a crude measuring instrument of the cracking strength of the community" — um instrumento rústico para medir a força de quebra criptográfica da comunidade. Na mesma resposta, ele foi direto sobre a lógica do desafio: o objetivo é ver o quanto e quão rápido a comunidade consegue avançar sobre a matemática por trás das chaves, incentivando o desenvolvimento de ferramentas open source — não se trata de loteria ou jogo de azar, nas palavras dele. Ele também reconheceu publicamente uma falha de design (os endereços 161-256 tinham dificuldade excessiva) e prometeu corrigi-la redistribuindo os fundos — o que de fato aconteceu três meses depois.

Como as chaves privadas foram geradas?

O próprio criador deu a resposta técnica mais direta que existe sobre isso: "just consecutive keys from a deterministic wallet, masked with leading zeros to set difficulty" — chaves consecutivas de uma carteira determinística, mascaradas com zeros à esquerda para definir a dificuldade. Na prática, a leitura mais aceita na comunidade é que o criador gerou uma sequência de chaves filhas (índices 1, 2, 3... 256) a partir de uma carteira determinística hierárquica — o mesmo mecanismo por trás dos padrões BIP-32/BIP-39 usados por qualquer carteira Bitcoin moderna — e depois truncou/mascarou cada chave para caber exatamente no intervalo de bits desejado. Isso explica por que os valores revelados (1, 3, 7, 8, 21, 49, 76, 224...) crescem de forma consistente com a escala logarítmica dos puzzles, sem formar nenhum padrão explorável matematicamente. Vale reforçar: não existe, até hoje, nenhum método público confirmado para reconstruir a seed original a partir das chaves já reveladas — é só uma hipótese razoável sobre a mecânica, não uma fórmula que alguém decifrou.

Como funciona a lógica dos 160 puzzles ativos?

A estrutura original tinha 256 saídas, mas em 11 de julho de 2017 o criador moveu os fundos dos endereços 161 a 256 — cujo espaço de busca já era considerado inviável para sempre — para os endereços de faixa mais baixa, elevando o prêmio de cada um. Isso consolidou o desafio em 160 puzzles ativos. Depois, em 31 de maio de 2019, ele enviou transações de 1.000 satoshis a partir de cada quinto endereço (65, 70, 75... até 160). Esse movimento tem uma consequência técnica importante: toda vez que uma carteira Bitcoin gasta fundos, ela expõe sua chave pública on-chain — algo que normalmente fica oculto atrás do hash da carteira. Ao expor essas chaves públicas de propósito, o criador abriu a porta para uma técnica de ataque bem mais eficiente que a força bruta pura, como você vai ver mais adiante.

Em 16 de abril de 2023, os prêmios de todos os puzzles ainda não resolvidos foram multiplicados por 10, elevando o total do fundo para cerca de 988 BTC — o Puzzle 66 passou a valer 6,6 BTC e o Puzzle 160 passou a valer 16 BTC.

DataEventoEfeito no prêmio
15/01/2015Criação da transação com 256 endereços~32,9 BTC distribuídos
11/07/2017Fundos de 161–256 movidos para 53–160Prêmios da faixa baixa multiplicados
31/05/2019Gasto de 1.000 sats a cada 5º endereçoChaves públicas expostas (65 a 160)
16/04/2023Multiplicação geral dos prêmios não resolvidosPool total ≈ 988 BTC
Set/2024Puzzle 66 resolvido e roubado no mempool6,6 BTC interceptados por terceiros
TXID (verificável on-chain)DataFunção
9b11b90a...bba166215/01/2015Funding da carteira que criou o puzzle (432,9 BTC)
08389f34...5fa6cd1515/01/2015Transação original — 256 endereços, 32,896 BTC
5d45587c...4438416411/07/2017Consolidação 161–256 → 53–160 (103,527 BTC)
17e4e323...17a4b3d331/05/2019Exposição de chaves públicas (a cada 5º endereço)
12f34b58...a78d13b316/04/2023Multiplicação x10 dos prêmios não resolvidos

Todos os TXIDs acima podem ser conferidos em qualquer explorador público (Blockchair, mempool.space, Blockstream.info).

Quantos puzzles já foram resolvidos em 2026?

Em meados de junho de 2026, rastreadores da comunidade (btcpuzzle.info) indicavam 82 dos 160 puzzles resolvidos, restando 78 endereços travados com aproximadamente 916 BTC — na cotação da época, cerca de US$ 58,8 milhões. O pool coletivo de busca já havia varrido pouco mais de 0,86% do espaço total de chaves, operando a 57,3 bilhões de chaves por segundo, com uma projeção de conclusão em torno de 421 anos no ritmo atual. Vale reforçar: esse número muda semana a semana, então trate-o como uma fotografia do momento, não como valor fixo.

Por que o Puzzle 135 caiu antes do Puzzle 71?

Este é o ponto que a maioria dos artigos sobre o tema erra ou simplifica demais. Todos os puzzles de 1 a 70 bits já foram resolvidos por força bruta pura — testar cada chave candidata dentro do intervalo é viável nessa faixa. O Puzzle 71 é hoje o próximo alvo "somente endereço", ou seja, sem chave pública exposta, o que obriga a força bruta tradicional. Só que puzzles múltiplos de 5 (75, 80... até 160) tiveram a chave pública exposta propositalmente em 2019, o que permite usar o algoritmo kangaroo de Pollard. Essa técnica reduz a complexidade de O(2^N) para aproximadamente O(2^(N/2)) — ou seja, quebrar um puzzle de 135 bits com chave pública exposta é, na prática, equivalente a força bruta em cerca de 67 a 68 bits. Foi assim que o Puzzle 135 caiu depois de um esforço relatado de cerca de cinco meses rodando 200 GPUs simultaneamente, mesmo estando "à frente" do Puzzle 71 em dificuldade nominal.

O que aconteceu com os prêmios roubados dos Puzzles 66 e 69?

Aqui entra a lição de segurança operacional mais valiosa do puzzle inteiro. Quando um solver encontra a chave certa, ele precisa transmitir uma transação de resgate para a rede — e essa transação fica visível no mempool público antes de ser confirmada em um bloco. Como o script de resgate revela a assinatura e a chave pública, qualquer pessoa observando o mempool pode copiar esses dados, montar sua própria transação com uma taxa mais alta e "furar a fila", roubando o prêmio do solver original. Foi exatamente isso que aconteceu com o Puzzle 66 (6,6 BTC interceptados) e o Puzzle 69 (prêmio disputado em múltiplas transações concorrentes antes de ser efetivamente levado por outro endereço). Depois desses episódios, solvers mais experientes passaram a evitar a difusão pública da transação, negociando diretamente com mineradores para incluir o resgate fora do mempool visível — foi assim, por exemplo, que os Puzzles 67 e 68 foram resgatados com sucesso.

Por que os puzzles com chave pública exposta são vulneráveis à computação quântica?

Este é o gancho mais relevante para 2026. Em março deste ano, a Google Quantum AI publicou um whitepaper indicando que quebrar a criptografia de curva elíptica usada pelo Bitcoin pode exigir menos de 500 mil qubits físicos — uma redução de cerca de 20 vezes frente a estimativas anteriores que falavam em milhões. Isso importa diretamente para o puzzle: endereços que já tiveram a chave pública exposta on-chain (como os puzzles 135, 140, 145, 150, 155 e 160, e qualquer endereço Bitcoin que já gastou fundos ao menos uma vez) poderiam, em teoria, ter a chave privada calculada diretamente pelo algoritmo de Shor, sem qualquer força bruta. Isso faz da Bitcoin Puzzle Transaction algo além de curiosidade: ela funciona como um canário real para o dia em que computadores quânticos se tornarem uma ameaça prática à criptografia do Bitcoin.

FaixaSituação em 2026Técnica de ataque
1–70100% resolvidosForça bruta direta
71–74Não resolvidos, próximos alvosForça bruta (sem chave pública exposta)
75–135 (múltiplos de 5)Parcialmente resolvidos até o 135Kangaroo de Pollard
136–160 (múltiplos de 5)Não resolvidosKangaroo hoje inviável; vulnerável a Shor no futuro

Quais ferramentas os solvers usam?

A comunidade que ataca o puzzle não depende de um único software. As ferramentas mais citadas incluem keyhunt, otimizado em C++ para varrer intervalos específicos com instruções SIMD; implementações do algoritmo kangaroo (como o RCKangaroo) rodando em kernels CUDA para GPUs NVIDIA; e pools colaborativos como o Large Bitcoin Collider (LBC), que distribuem faixas de busca entre milhares de voluntários.

Uma evolução mais recente é o PointsBuilder (kTimesG, abril de 2025), uma biblioteca em C que otimiza a geração de pontos na curva secp256k1 para varreduras sequenciais. Em vez de fazer uma multiplicação de ponto para cada chave candidata — a operação mais cara em criptografia de curva elíptica — o PointsBuilder faz apenas duas multiplicações no total por lote e constrói o restante via adições em lote, usando o truque de inversão de Montgomery (uma única inversão de campo para dezenas de milhares de pontos, em vez de uma inversão por ponto). Na prática, isso significa mais varredura por watt de GPU/CPU gasto — mas não muda o problema de fundo: ainda é preciso varrer uma fração relevante de 2^70 chaves para o Puzzle 71. Não vamos reproduzir código de exploração aqui — o objetivo deste post é explicar o panorama, não fornecer um kit pronto de ataque.

Mitos e teorias não confirmadas sobre o puzzle

Onze anos de puzzle geram muita lenda. Separamos as duas mais persistentes — e por que nenhuma das duas se sustenta.

Mito: o "Puzzle 254" foi resgatado com uma mensagem sobre a música Bella Ciao

Circula uma história de que o endereço correspondente ao antigo "puzzle 254" teria sido resgatado com uma mensagem OP_RETURN referenciando a canção de resistência italiana "Bella Ciao", supostamente uma assinatura do próprio criador. O problema é duplo: primeiro, tecnicamente não existe mais "puzzle 254" — os endereços 161 a 256 foram esvaziados em julho de 2017 e movidos para a faixa 53–160, então não haveria fundos ali para resgatar anos depois. Segundo, ao cruzar diferentes versões dessa história, o próprio conteúdo da suposta mensagem OP_RETURN muda de uma fonte para outra — um sinal claro de que a informação foi inventada em algum ponto da cadeia de repasse, não recuperada da blockchain (que é imutável). Não encontramos o endereço, a transação nem a mensagem em nenhum explorador público.

Mito: existe um atalho algébrico para calcular as chaves sem força bruta

De tempos em tempos, usuários de fórum afirmam ter encontrado relações algébricas entre os pontos da curva que permitiriam calcular chaves privadas "10 a 20 vezes mais rápido" que os métodos conhecidos, sem detalhar a matemática. Vale o ceticismo padrão: a segurança de todo o Bitcoin (e de boa parte da internet) depende do problema do logaritmo discreto em curvas elípticas não ter atalho algébrico. Se alguém realmente tivesse encontrado um, o problema não seria "quebrar mais rápido este puzzle" — seria uma ruptura criptográfica com implicações muito além de 916 BTC.

Fato: as citações do criador de 2017 são reais e verificáveis

Diferente dos itens acima, as falas atribuídas a saatoshi_rising sobre ser o criador, sobre o desenho "bobo" dos puzzles 161-256 e sobre a natureza do puzzle como "instrumento rústico de medição" batem com o histórico público do fórum BitcoinTalk e são consistentes com os eventos on-chain que de fato aconteceram três meses depois (a redistribuição de julho de 2017).

Vale a pena tentar resolver o Bitcoin Puzzle hoje?

Depende do que você está buscando. Como exercício de aprendizado sobre criptografia de curva elíptica, derivação de endereços e segurança operacional, sim — vale muito. Como estratégia de renda, a resposta honesta é não: o Puzzle 71, o alvo mais acessível hoje, ainda representa um espaço de busca de 2^70 chaves, algo fora do alcance de hardware doméstico mesmo rodando por anos.

  • Entenda que isso é probabilidade pura — não existe atalho garantido nem "fórmula secreta" nas chaves.
  • Use apenas ferramentas open source auditáveis; nunca instale "solvers" fechados prometendo taxas de acerto milagrosas.
  • Se algum dia encontrar uma chave, planeje a transmissão da transação com cuidado — o histórico dos Puzzles 66 e 69 mostra que o mempool público é um risco real.
  • Não trate isso como investimento: o retorno esperado por watt de GPU gasto é, na prática, negativo para a esmagadora maioria dos puzzles restantes.

Perguntas Frequentes

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Marcadores: bitcoin Blockchain chave privada computação quântica Criptomoedas puzzle secp256k1 segurança digital

© agosto 07, 2026 CanalQb — Python, Scripts, Automação, Airdrops e Criptomoedas | Web3 e Tech na Prática



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